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Plantas
 
Welwitschia: A planta polvo do deserto
Por Gustaaf Winters

INTRODUÇÃO:

Certa vez, eu estava num restaurante, com vários colegas e professores. Um deles estava falando da Ginkgo biloba, exaltando que era a única espécie monotípica da flora mundial.Que na Botânica ela não se encaixava em nenhuma outra Ordem, nenhuma outra Família, não tinha ”irmãos” nem “primos”. A classificação botânica era dirigida só para ela. Fiquei ainda mais fascinado quando um professor enriqueceu a conversa dizendo que se tratava de um fóssil vivo. Que bem antes dos dinossauros aparecerem na terra, e Ginkgo biloba já existia. E que tinha resistido até à radiação nuclear de Hiroxima e Nagasaki. Gosto de saber dessas coisas. Acho curioso e fico feliz em saber que existem esses verdadeiros fenômenos na Natureza. O tempo vai passando e com ele vai se adquirindo mais experiência: mais sabedoria, como dizem alguns.
Se hoje, neste instante, eu estivesse nesse mesmo restaurante, eu diria que existe mais uma planta com os mesmos méritos: as mesmas características. Falaria da monotípica “planta polvo do deserto”.

Trata-se de uma planta, com duas folhas só, que crescem apenas pela base, ao contrário do que acontece com as folhas de outras plantas. E que podem atingir até seis metros de comprimento. Suas pontas ficam meio esfarrapadas devido aos ventos do deserto.Um dado ainda mais curioso: as folhas persistem pela vida toda na planta. Elas unem-se pela base a um tronco subterrâneo, que às vezes se eleva acima da superfície, tendo um aspecto cônico e anelado. Do centro desse tronco surgem as inflorescências ramificadas em 2. Quando os cones femininos entram no “cio”, um líquido pegajoso cobre o estigma, para receber os grão de pólen (vindas pelo vento ou por uma vespinha noturna) da planta masculina. Mesmo nas condições severas do deserto (com uma precipitação de cerca de 500 mm) as sementes germinam com rapidez formando uma raiz cônica de 6 a 18 m de profundidade. Admite-se, inclusive, que elas possam viver mais do que mil anos. E assim como a “Ginkgo”, tem sexos separados. Ou seja: existe a planta macho e a planta fêmea. Na Botânica define-se como sendo planta dióica. Tenho a impressão que isso é um sinal de primitividade. Que sexos diferentes na mesma planta e na mesma flor é um sinal de evolução. Aliás, a “planta polvo” é uma Gimnosperma, grupo de plantas que vieram antes das Angiospermas (as plantas com flores). A “planta polvo do deserto” é classificada como Welwitschia mirabilis. da classe Gnetopsida, pertencente à ordem Welwitsciales e família Welwitschiaceae.. O nome botânico homenageia o Dr. Friedrich Martin Josef Welwitsch, renomado médico-botânico austríaco que viveu entre 1806 e 1872 e que muito contribuiu para o conhecimento da flora de Angola. Charles Darwin, apelidou-a como “o Ornitorrinco das plantas” Até hoje os botânicos mostram-se fascinados e perplexos perante esse fenômeno único da Natureza.

E não é pra menos. Apesar do clima em que vive, a Welwitschia consegue absorver a água do orvalho através das folhas. Esta espécie tem ainda uma característica fisiológica em comum com as crassuláceas (as plantas com folhas carnudas ou suculentas, como os cactos): o metabolismo ácido - durante o dia, as folhas mantêm os estomas fechados, para impedir a transpiração, mas à noite eles abrem-se, deixam entrar o dióxido de carbono necessário à fotossíntese e armazenam-no, na forma dos ácidos málico isocítrico nos vacúolos das suas células. Durante o dia, estes ácidos libertam o CO2 e convertem-no em glicose através das reações conhecidas como ciclo de Calvin (uma fase não luminosa da fotossíntese). Complicado, né?

A mais antiga referência da ‘planta polvo do deserto’ data de 1861 quando o artista e explorador Thomas Baines, que acompanhava Livingston numa viagem à África havia feito desenhos coloridos da planta, os quais mandou com flores para o botânico Hooker. Assim foi chamado, primeiramente de Thumboa bainesii, bem como Thumboa stolonifera. Porém, nenhum desses nomes tinha consistência definida. O primeiro cultivo bem sucedido deve-se a Hans Herre, curador do HortoBotânico de Stellen Bosch, na África do Sul.
A primeira flor apareceu somente 20 anos depois.

CARACTERÍSTICA DA ESPÉCIE:

-Nome científico:Welwitschia mirabilis
-Nome popular: Planta polvo do deserto
-Origem: Deserto da Namíbia e Angola.
-Porte: Altura: até 1,00 m. Comprimento até 6 m.
-Florescimento: Em julho, quando o nevoeiro do mar atinge a região
-Flores: Cones femininos e masculinos em plantas separadas.Os masculinos, formados de 4 partes em cruz e 6 estames. Os femininos são tubulares, envolvendo completamente o óvulo fértil.
- Folhas: É o atrativo especial da planta. Parece que alguém a partiu com um machado. Começa com folhas de 75 cm por 20 de largura e depois vai se alargando. O vento encarrega de parti-las longitudinalmente dando um aspecto de tentáculos de um polvo.
-Ambiente: Desértico.Em 1965, foi descoberta no deserto da Namíbia, um exemplar com 75 m de circun ferência. O teste de carbono radiativo acusou, trata-se de um exemplar com 950 a 1000 anos. No entanto, há registros de plantas com até 2000 anos.
-Clima: Árido, seco.
-Solo: Areia que há milhares de anos vem do mar.
-Reprodução: Por sementes. A germinação é rápida, saindo duas folhas cotiledonares, uma de cada lado. O crescimento, no entanto, é bem lento.

Pelo interesse que ultimamente vem despertando por parte de curiosos e turistas, a “planta polvo do deserto” hoje é protegida por leis especiais para garantir sua sobrevivência. Tanto é que o dia 3 de setembro é reservado para a comemoração da Welwitschia mirabilis


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